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Vamos lembrar um pouco como tudo começou?
O nosso
ex-Pároco de Piripiri/PI, Frei José Schluter, foi um dos primeiros
incentivadores desta obra. No início de 1996, quando Frei José e
o Luiz Júnior foram à Cidade de Esperantina e ficaram
maravilhados com uma das primeiras Rádios Comunitárias
funcionando dentro da Casa Paroquial daquele Município com uma
estrutura técnica bastante simples, porém com uma qualidade de
som impressionante. Ao voltar para Piripiri eles preparam
todos os documentos necessários e com colaboração financeira
de Entidades amigas compraram o Kit transmissor, alguns
equipamentos e cds. Foi ao ar pela primeira vez dia 29 de
março de 1996, com funcionamento dentro da Torre da Igreja Matriz de
N. S. dos Remédios, pois era o local mais alto para se colocar
a antena. 24 horas no ar e em caráter experimental recebemos
muitos cd,s da comunidade e uma audiência surpreendente.
Em
uma reunião com membros representantes de Entidades
organizadas da comunidade foi escolhido um nome para a Rádio
que deveria ter como objetivo principal resgatar os valores
éticos, morais, religiosos e os bons costumes de nossa
comunidade, incentivando o povo a conhecer os seus direitos e
deveres e ser uma forte voz pela democracia dos meios de
comunicação no Brasil. Foi registrada a Associação Comunitária
de Radiodifusão de Piripiri dia 01 de abril de 1996 com o
objetivo de organizar todos os passos da Rádio Comunitária Fm
Família e dar sustentação jurídica e representativa.
Na
mesma época foram fundadas a Associação das Rádios
Comunitárias do Piauí (ARCEPI) e pouco tempo antes a
Associação Nacional de Rádios Comunitárias do Brasil (ABRAÇO)
onde a Rádio Família é filiada. Participamos desde o início da
luta pela aprovação de uma Lei que desse proteção e
organização às Rádios
Comunitárias, pois sempre foram muito perseguidas pelo
monopólio ainda hoje existente de Rádios Comerciais de
políticos e empresários que possúem cartéis de Emissoras de Rádio e
Televisão. Após algum tempo funcionando na Torre da Igreja
Matriz a
Rádio foi transferida para o Centro Paroquial São Francisco
onde o espaço era maior.
Sempre nos baseamos no Art. 5º,
Inciso IX da Constituição Federal e na Declaração Universal
dos Direitos Humanos que dá sustentação às Rádios de baixa
potência e de serviço comunitário. Entramos com um pedido de
Liminar na Justiça Federal e recebemos dia 26 de setembro do Juiz Augustino Lima
Chaves a autorização de funcionamento. Fomos uma das primeiras
Rádios comunitárias do Piauí a receber Liminar federal para
funcionar. Seguindo a mesma tese várias outras Rádios conseguiram também.
Já
estávamos formando jurisdição para uma futura Lei. Tudo isso
foi possível graças ao serviço e apoio da OAB/PI
cujo presidente na época era o Sr. Nelson Nery Costa. Três meses depois nossa Liminar foi derrubada
pelo antigo Dentel e vieram outros lacramentos e cada vez mais
apoio da nossa comunidade que sempre comparecia para defender
a sua Rádio. Fomos a Brasília com representantes de todos os
estados do Brasil nos reunir com o Ministro das Comunicações
da época, o hoje falecido Sérgio Mota, p/ pedir providências
contra essas perseguições e lutar por uma Lei p/ as Rádios
Comunitárias. Luiz Júnior (Diretor da Rádio Família) foi escolhido para
ser o representante do Piauí no Brasil por seu empenho no
Primeiro Congresso de Rádios Comunitárias realizado em Recife-PE.
Durante os períodos de forte perseguição foram feitas algumas
vigílias na Igreja Matriz de Piripiri pelo Movimento de Rádios
Comunitárias. Um abaixo assinado em favor da Rádio Família
andou por todo o Piauí e até em outros Países manifestando
apoio ao funcionamento normal da Rádio Família e repudiando as
tentativas de abafamento destes Meios de Comunicação populares
por parte de alguns Órgãos que defendem a permanência do
Monopólio das comunicações no Brasil.
Dia 27 de agosto de
1997 a Rádio passa a se chamar Rádio NOSSA FM por causa de uma
Ordem Judicial que temporariamente tirou a Rádio Família do ar com uso de
forte esquema policial sob o pretexto de falta de autorização
de funcionamento pelo MINICOM. Porém dia 01 de dezembro de
1997 o mesmo
Juiz Federal de Teresina (PI), Dr. Rui Costa Gonçalves, que concedeu Ordem
Judicial para fechar algumas Rádios Comunitárias no Piauí,
autorizou todas as Rádios que antes foram fechadas, a
funcionar normalmente, pois não achou nada ilegal que
impedisse este fato.
(Dia
29/03/2009 - 13 anos de Rádio Família)
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